home
 
 
     
   

José Osvaldo de Meira Penna é diplomata tendo ocupado vários cargos no exterior e chefiado sete embaixadas brasileiras. É também escritor e jornalista, com mais de 20 títulos publicados.

     
 
 
 

Obedeçamos ao princípio introspectivo da Anamnesis platônica. O dono deste Site é um brasileiro, carioca, nascido em 1917 de um Pai de família originária do Norte de São Paulo (S. Sebastião e Taubaté), provavelmente de raízes galegas, pois, tanto Meira quanto Penna são nomes da Galícia espanhola; e de Mãe gaúcha, filha de um músico português, maestro Frederico Nascimento, que foi Diretor do Instituto de Música do Rio e fez igualmente algumas descobertas no terreno da acústica. Tive uma única irmã, Maria Cecília, mulher extremamente elegante e bonita, que em certo momento fez sucesso em Paris e no Rio, e casou com um português.

Nasci num ano fatídico que foi aquele em que terminou a maior batalha da história, Verdun, setecentos mil mortos; e se iniciou a Revolução russa que instalou no poder o regime comunista, sessenta milhões de mortos. Foi o ano em que entraram os Estados Unidos na Grande Guerra, dez milhões de mortos, preparando-se para a posição de potência hegemônica do século XX. Três anos de estudos ginasiais na França (1927/29), a experiência da Europa e o gosto pela história me conduziram à carreira diplomática, onde entrei por concurso antes mesmo de completar 21 anos (fevereiro 1938), me aposentando, como embaixador em Varsóvia em 1981, depois de 43 anos de serviço. Foram setenta anos de interesse pelo mundo que tornam tarefa, imperativa e urgente, traduzir metodicamente os milhares de páginas, escritas e acumuladas ao Deus dará, na memória e no papel, em algo que faça sentido.

No exercício da diplomacia, estive invariavelmente acompanhado pelo interesse no conhecimento da filosofia, da psicologia, da história e das ciências sociais em geral. Daí surgiu a necessidade criadora no campo das letras - e este Site resume o trabalho realizado.

"Liberals live longer" - diz uma piada atribuída a Hayek e vulgarizada nos meios liberais internacionais. Vivemos mais, talvez, com todos os achaques da velhice, mas nos valemos de mais longa experiência. A experiência é preciosa. Wittgenstein a enaltece numa Resenha de sua obra em que são tocados os temas do Ceticismo e da Certeza. É graças à experiência que podemos acabar julgando com a esperança de correção. Um amigo um tanto ou quanto ingênuo, porém sincero em sua cordialidade, me felicitou o outro dia com as palavras: "Gostaria de chegar à sua idade, com sua lucidez"... Será que não estou realmente decrépito, não estou gagá? Será que o que escrevo ainda faz sentido? Escrevo, entretanto, conforme tenho pensado há dez, vinte, cinqüenta anos, com a experiência de longa meditação...