|
Na GAZETA de 24/26 de setembro último, o Sr Gilson
Monteiro, referindo-se a um artigo que publiquei
no JORNAL DA TARDE há exatamente um ano (19.10.98),
“Crise e Déficit Público”, se despenca em violenta
diatribe contra minha pessoa e as idéias do Instituto
Liberal, acoimado de “neo-nazista”. O motivo aparente
de sua crise emocional foi um trecho em que escrevi
o seguinte: “Que FHC dê uma de Fujimori! Mande
interromper a construção da babilônica Procuradoria
Geral da República em Brasília, cancelar submarinos
atômicos, etc. ministérios, repartições, embaixadas
supranumerárias, etc.”. Até aí, nada de mais.
Todas as medidas que sugiro estão perfeitamente
dentro das atribuições constitucionais de S.E.
e, depois de um ano, posso reiterar o conselho,
se ele, Presidente da República, desejar mesmo
enfrentar a “Crise e déficit público” que é o
tema do artigo. Nada disso justificaria o argumento
histérico do eminente professor amazonino contra
minhas idéias e as do Instituto Liberal, quando
nos acusam de sermos neonazistas e a favor da
ditadura.
Incidentalmente, Fujimori não é um ditador e,
além do mais, várias vezes na época, me manifestei
a favor da cadidatura de Vargas Llosa que, além
de ser meu amigo a quem muito admiro, era o verdadeiro
candidato liberal à Presidência do Peru. O próprio
Sr Gilson Monteiro, em seu artigo, observa que
um ditador é um ditador, “como se ditador se pudesse
escolher”, esquecido ao que parece que o Presidente
Fujimori foi duas vezes escolhido Presidente do
Peru, sendo assim o que há de mais democrático
em termos de democracia. É verdade, contudo, que
um indivíduo pode ser escolhido chefe de estado
pela imensa maioria do eleitorado e acabar ditador:
foi exatamente o que aconteceu na Alemanha nazista.
Por outro lado, é também verdade que, em certos
casos excepcionais, um povo pode preferir ter,
temporariamente, um governante que use de métodos
extra-constitucionais para adiantar certas reformas
de urgência fundamental ou atender a emergências
sérias. Os romanos inventaram o termo “ditadura”
nesse sentido, sob o lema salus populi suprema
lex. Incidentalmente, quase todos os presidentes
da República Velha, no Brasil, foram ditadores
nesse sentido, pois governaram sob estado de sítio.
É nesse contexto que escrevi a frase em que aconselho
o Presidente Cardoso a "dar uma de Fujimori”.
O Peru achava-se absolutamente contaminado pela
desordem, a guerra civil, o terrorismo e a corrupção
(inclusive no Congresso e no Judiciário), após
a ditadura militar que sofrera e a presidência
do demagogo ladrão, Alan Garcia, que ascendera
à Presidência em 1985, como representante de um
partido semi-totalitário, a APRA.
|