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Por alguns denunciado e injuriado com a alcunha
de “neo-liberalismo”, o Liberalismo moderno pode
ser datado de abril de 1947 quando, no Hotel du
Mont Pèlerin, acima de Vevey na Suíça, e a convite
de Friedrich Hayek se reuniram 38 intelectuais
e economistas, europeus e americanos, para discutir
o futuro do mundo, traumatizado pela guerra. Vários
dos participantes se tornariam famosos e receberiam
o Prêmio Nobel. Foram eles as cabeças do movimento
de opinião que, nos anos 80, inspiraria os governos
de Reagan e lady Thatcher, inaugurando a política
da Nova Ordem Espontânea Global que hoje se estende
sobre o mundo, após provocar a queda do Muro de
Berlim e o colapso da URSS. Alguns nomes merecem
ser citados porque influenciaram decisivamente
suas respectivas nações. Hayek, Mises e Popper
foram os gurus e representam a chamada Escola
Austríaca. Jacques Rueff foi autor do Plano que
orientaria De Gaulle e toda a Vª República, em
que pese a teimosa resistência do velho estatismo
centralizador francês. G. Haberler, Walter Eucken,
Wilhelm Röpke e Ludwig Erhard, este último futuro
Chanceler, elaboraram a chamada Economia de Mercado
Social (Soziale Marktwirtschaft) que, adotada
por Adenauer, é responsável pelo “milagre alemão”
de pós-guerra. Da Itália, dominada pelo autoritarismo
da Contra-Reforma, emanariam as vozes solitárias
de Bruno Leoni e Antonio Martino. Da Inglaterra
vieram os epígonos da London School of Economics
que, através do Institute of Economic Affairs,
reconduziriam os tories ao poder, refugando
o marxismo do Labour e impondo ao Reino Unido
a tendência liberal que o próprio Blair não consegue
esconder em sua fraudulenta “Terceira Via” e no
estratagema hipócrita de atirar Pinochet aos lobos.
Lord Robbins, lord Bauer, lord Harris e Arthur
Seldon são alguns nomes da epopéia. Da América
faltou Walter Lippmann mas procederam outros,
destinados a dominar a ciência econômica nas décadas
seguintes, Frank Knight, George Stigler, Milton
Friedman, Michael Polanyi, Henry Hazlitt, além
de Michael Novak que ao Papa teria sugerido o
vezo liberal de sua Centesimus Annus. Outros
se juntaram posteriormente: James Buchanan, Gary
Becker e R. H. Coase, hoje figuras de proa no
pensamento político e econômico americano. Com
o tempo, outras personalidades, eminentes ou não,
aderiram à Sociedade. Hoje somos 500, de 70 países.
Desprovida de sede e orçamento, a MPS funciona
graças às contribuições de seus membros, sendo
convocada, nos anos pares em conferências globais
e, nos ímpares, em reuniões regionais. Em fins
de outubro estive em Potsdam, na Alemanha, no
próprio local em que (agosto de 1945) Truman,
Churchill e Stáline não evitaram a divisão da
Europa e a Guerra Fria. A Reunião regional celebrou
e, ao mesmo tempo, analisou e criticou a forma
por que a Europa de hoje se unifica.
Eugênio Gudin e Henri Maksoud foram seus primeiros
membros brasileiros. Relevante no entanto é o
nome de Donald Stewart, a quem presto aqui minha
saudosa homenagem. Filho de canadenses, engenheiro
e bem sucedido empresário (Presidente da ECISA),
construtor de dúzias de super-mercados, possui
Donald Stewart o mérito excepcional de haver fundado
o primeiro Instituto Liberal no Rio de Janeiro,
em 1983, alma mater de sete outros institutos
associados. Acontece que, além de ativo e hábil
angariador de fundos para a manutenção desses
Think-tanks, foi Donald também amigo encantador,
emérito tradutor de obras liberais e autor de
alguns preciosos textos de exposição da doutrina
em nosso país. “A Lógica da Vida” foi publicada
em agosto, quando já sofria do mal que o levou.
Como um dos membros do Conselho Diretor da MSP,
foi também quem organizou a reunião da Sociedade
no Rio, em 1993. Ele nos fará imensa falta e nos
deixa ainda maiores recordações por seu temperamento
cordial, o comportamento de verdadeiro gentleman
e a inteligência com que sempre conduziu a ingrata
tarefa de divulgar a doutrina da liberdade e da
responsabilidade individual, num país tão profundamente
escarmentado pelo Dinossauro burocrático, a economia
mercantilista, uma estrutura patrimonialista e
meio milênio de pesado e bom-moço paternalismo
intervencionista.
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