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Em meu último artigo (5/4), referi-me a um folheto
“catequético” que está sendo distribuído pela
CNB do B em sua Campanha dita da Fraternidade.
Quero insistir no tema porque demonstra até que
ponto a entidade máxima da Igreja Católica no
Brasil se submeteu às fraudes e mentiras de agitadores
marxistas, abandonando as diretivas e recomendações
da mais alta autoridade à qual deve obediência,
o papa. Insisto nesse ponto. É para mim um mistério
o que se está passando no seio da Mater et Magistra.
Como pode ocorrer que esses bispos, a maioria
deles pessoas respeitáveis e de posição moderada,
se deixem conduzir de cabresto, com evidente prejuízo
da instituição a que pertencem e que qualificam
de sagrada? Que os agitadores mais atrevidos,
outrora o bofe do Leonardo, hoje o frei Beto,
usem de qualquer meio para atingir seus fins,
não é de admirar. Mas que 300 bispos se submetam
à manobra, é certamente algo de entendimento árduo.
Lembro-me que, em princípios da década passada,
descobri por acaso, num artigo do então padre
franciscano, uma citação dos Evangelhos (João
10:10) que me chocou e intrigou: anunciava que
seria pela política que o homem encontraria sua
salvação.
Consultando a Bíblia, verifiquei que a citação
era absolutamente falsa. Mais ainda: não existe
em todo o texto do Novo Testamento qualquer referência
à política - como, aliás, não poderia deixar de
ser. A cínica invenção de um texto evangélico
para fins de propaganda de uma ideologia condenada
pela Igreja me pareceu um ato tão escandaloso
e aberrante que, quando poucos anos depois, Leonardo
Boff foi aconselhado por Roma a manter-se respeitosamente
calado e, logo em seguida, deixou a batina e atraiçoou
os votos solenemente pronunciados no momento de
entrar nas ordens, não me causou surpresa alguma.
O pseudofrei Beto é mais cuidadoso e recebe maior
consideração dos bispos. A aptidão para a fraude
é, no entanto, do mesmo calibre. No folheto aludido
“Encontros Catequéticos para Crianças e Adolescentes”,
ele simplesmente inventa uma “Declaração Universal
dos Direitos Humanos”, qualificada de “versão
popular”, notória não pelo que diz, mas pelo que
omite. A adulteração da verdade reside, não nas
afirmativas, mas no que encobre.
O ponto sobre o qual quero concentrar meus reparos
diz respeito ao “direito de propriedade” e ao
direito de livre iniciativa empresarial - ambos
omitidos em benefício de deveres e direitos espúrios.
Ora, o direito de propriedade é essencial porque,
em torno dele, gira todo o sistema de mercado
e de liberdade econômica, em vigor em nosso país
e presente, por mais estranho que possa parecer,
na própria “Constituição dos Miseráveis”. O direito
de propriedade consta da verdadeira Declaração
Universal dos Direitos Humanos, que é “universal”
porque votada pelas Nações Unidas. E é também
enfaticamente proclamado nas encíclicas Rerum
Novarum (parágrafos 99-107) e na Centesimus Annus
(parágrafo 6). O papa João Paulo II adverte que
o grande espaço atribuído a esse assunto demonstra
a importância que a ele se dedica. Os outros direitos
inalienáveis mencionados nas duas Cartas se relacionam
com esses princípios que esclarecem toda a diferença
entre uma sociedade livre e uma sociedade totalitária
como aquela com que, aparentemente, sonham os
redatores da cartilha catequética.
Na Rerum Novarum como na Centesimus Annus (parágrafo
15) os dois Sumo Pontífices, com cem anos de intervalo,
se manifestam contra o “controle pelo Estado dos
meios de produção” e salientam “a impossibilidade
de compromisso entre o marxismo e o cristianismo”
(parágrafo 26). O mercado livre e a liberdade
de acesso ao mercado global são proclamados por
João Paulo II (parágrafos 33 e 34), assim como
o papel legítimo do lucro (parágrafo 35). Em conclusão,
o grande mistério com que me deparo diante dessas
iniciativas espúrias da CNB do B relaciona-se
com os motivos pelos quais os bispos brasileiros
deixam de ler as encíclicas papalinas, mas seguem
deliberadamente a beta bestialógica que lhes indica
o Beto, sem se dar conta que é uma betesga.
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