home
 

Considerações sobre Chávez, Fidel e El Che


Considerações sobre a guerra civil espanhola


Creta e um outro Tsunami

 
 
     

Jornal da Tarde, 19 abril de 1999
Continua encontro catequético
O mercado livre e a liberdade de acesso ao mercado global são proclamados por João Paulo II, assim como o papel legítimo do lucro

 
 

Em meu último artigo (5/4), referi-me a um folheto “catequético” que está sendo distribuído pela CNB do B em sua Campanha dita da Fraternidade. Quero insistir no tema porque demonstra até que ponto a entidade máxima da Igreja Católica no Brasil se submeteu às fraudes e mentiras de agitadores marxistas, abandonando as diretivas e recomendações da mais alta autoridade à qual deve obediência, o papa. Insisto nesse ponto. É para mim um mistério o que se está passando no seio da Mater et Magistra. Como pode ocorrer que esses bispos, a maioria deles pessoas respeitáveis e de posição moderada, se deixem conduzir de cabresto, com evidente prejuízo da instituição a que pertencem e que qualificam de sagrada? Que os agitadores mais atrevidos, outrora o bofe do Leonardo, hoje o frei Beto, usem de qualquer meio para atingir seus fins, não é de admirar. Mas que 300 bispos se submetam à manobra, é certamente algo de entendimento árduo. Lembro-me que, em princípios da década passada, descobri por acaso, num artigo do então padre franciscano, uma citação dos Evangelhos (João 10:10) que me chocou e intrigou: anunciava que seria pela política que o homem encontraria sua salvação.

Consultando a Bíblia, verifiquei que a citação era absolutamente falsa. Mais ainda: não existe em todo o texto do Novo Testamento qualquer referência à política - como, aliás, não poderia deixar de ser. A cínica invenção de um texto evangélico para fins de propaganda de uma ideologia condenada pela Igreja me pareceu um ato tão escandaloso e aberrante que, quando poucos anos depois, Leonardo Boff foi aconselhado por Roma a manter-se respeitosamente calado e, logo em seguida, deixou a batina e atraiçoou os votos solenemente pronunciados no momento de entrar nas ordens, não me causou surpresa alguma. O pseudofrei Beto é mais cuidadoso e recebe maior consideração dos bispos. A aptidão para a fraude é, no entanto, do mesmo calibre. No folheto aludido “Encontros Catequéticos para Crianças e Adolescentes”, ele simplesmente inventa uma “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, qualificada de “versão popular”, notória não pelo que diz, mas pelo que omite. A adulteração da verdade reside, não nas afirmativas, mas no que encobre.

O ponto sobre o qual quero concentrar meus reparos diz respeito ao “direito de propriedade” e ao direito de livre iniciativa empresarial - ambos omitidos em benefício de deveres e direitos espúrios. Ora, o direito de propriedade é essencial porque, em torno dele, gira todo o sistema de mercado e de liberdade econômica, em vigor em nosso país e presente, por mais estranho que possa parecer, na própria “Constituição dos Miseráveis”. O direito de propriedade consta da verdadeira Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é “universal” porque votada pelas Nações Unidas. E é também enfaticamente proclamado nas encíclicas Rerum Novarum (parágrafos 99-107) e na Centesimus Annus (parágrafo 6). O papa João Paulo II adverte que o grande espaço atribuído a esse assunto demonstra a importância que a ele se dedica. Os outros direitos inalienáveis mencionados nas duas Cartas se relacionam com esses princípios que esclarecem toda a diferença entre uma sociedade livre e uma sociedade totalitária como aquela com que, aparentemente, sonham os redatores da cartilha catequética.

Na Rerum Novarum como na Centesimus Annus (parágrafo 15) os dois Sumo Pontífices, com cem anos de intervalo, se manifestam contra o “controle pelo Estado dos meios de produção” e salientam “a impossibilidade de compromisso entre o marxismo e o cristianismo” (parágrafo 26). O mercado livre e a liberdade de acesso ao mercado global são proclamados por João Paulo II (parágrafos 33 e 34), assim como o papel legítimo do lucro (parágrafo 35). Em conclusão, o grande mistério com que me deparo diante dessas iniciativas espúrias da CNB do B relaciona-se com os motivos pelos quais os bispos brasileiros deixam de ler as encíclicas papalinas, mas seguem deliberadamente a beta bestialógica que lhes indica o Beto, sem se dar conta que é uma betesga.