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A Heritage Foundation, um dos mais influentes
think-tanks de Washington, publica desde 1989
um Índice de Liberdade Econômica, cobrindo todos
os países do mundo. Nesse índice, figura em primeiro
lugar Hong Kong, um paradoxo, como cidade que
teoricamente está no território de um Estado comunista
- mas no último ano caiu de posição, em virtude
obviamente da intervenção do governo de Beidjing.
Os dois países com maior intervencionismo estatal
são também, naturalmente, Cuba e Coréia do Norte
- classificados aliás entre os mais miseráveis
do mundo. Os mais livres, deixando de lado Estados
menores, são a Nova Zelândia, a Suíça e os EUA.
Na América Latina, o mais aberto é o Chile. Note-se
que o índice de liberdade econômica corresponde,
quase exatamente, ao índice de prosperidade, crescimento
do PIB e renda per capita. O Brasil está colocado
em 90.° lugar e seu crescimento é pífio comparado
com o do Chile, que é de 7% e cuja renda já é
o dobro da nossa; e com a Argentina cuja renda
per capita já alcançou US$ 9 mil, quando a nossa
permanece abaixo de U$ 6 mil. A análise realizada
pela Fundação prova, contrariando os socialistas,
nacionalistas e estatizantes em geral, que a receita
liberal funciona. Se o objetivo nacional é o desenvolvimento,
a conquista do bem-estar e o enriquecimento da
população, a solução é o Estado retrair-se e deixar
funcionar o mercado.
Prova ainda que a “crise” que atingiu alguns
países asiáticos, a Rússia e agora nosso país,
é tanto mais grave quanto mais responsáveis os
governos por intervenções indevidas, políticas
mal concebidas e controles estapafúrdios sobre
a economia. No quadro da Heritage Foundation,
as variáveis são o regime bancário, a política
monetária, o tipo e montante dos impostos, a política
de comércio e de preços, o tamanho do governo
e o respeito ao direito de propriedade. No item
reservado ao Brasil, as indicações de melhora
progressiva da situação são positivas e tendem
a favorecer os investidores, para cuja decisão
os dados fornecidos pelo Índice da Heritage têm
influência ponderável.
O ponto sensível do tema é o tamanho do Estado
brasileiro - infelizmente não tocado pelo relatório.
Na verdade é um tema tabu: todas as famosas reformas
sugeridas pelo atual governo esbarram diante do
déficit público, déficit que, por sua vez, resulta
dos gastos excessivos da União, Estados e municípios
com seu funcionalismo. Não apenas que o número
de funcionários seja excessivo, mas que a remuneração
da Nomenklatura no topo da hierarquia é escandalosa.
Só acreditarei mesmo que este país possa escapar
da crise, de modo satisfatório, no dia em que
tomar decisões em pontos-chave da problemática
do Dinossauro estatal. Pontos principais já sugeridos
por muitos círculos liberais: terminar de limpar
o chamado “entulho militar”, suprimindo meia dúzia
de Estados artificiais; eliminação de mil municípios
que só existem para dar emprego a prefeitos e
vereadores locais; tornar o exercício da função
de vereador puramente honorária, como o é em grande
parte dos países mais civilizados; privatização
rápida do que restam de estatais, particularmente
com o fim dos bancos estaduais e dos bancos federais,
Banco do Brasil e Caixa Econômica em especial,
e do maior de todos os monstros, a Petrossauro;
eliminar a Justiça do Trabalho e outras justiças
especiais inócuas.
Vencer o corporativismo reacionário e tenaz não
é coisa fácil, bem sabemos: o prefeito da cidade
serrana no Estado do Rio que ganha R$ 27 mil por
mês; o deputado que, além de seu salário e suas
mordomias, leva R$ 22 mil para casa de aposentadoria.
Quantos outros abusos? A palavra grega krisis
significa “decisão”. É de decisão imediata o de
que necessitamos: reformas, privatizações, supressão
de abusos, emagrecimento do Dinossauro, só isso...
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