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No divertido Manual “O Perfeito Idiota Latino-Americano”,
Montaner, Plinio Mendoza e Alvaro Vargas Llosa
confessam ao final as próprias perfeitas idiotices
que, anos antes, disseram ou publicaram. Devo
fazer o mesmo e reconhecer que, há exatamente
vinte anos, publiquei um artigo no JORNAL DO BRASIL,
é verdade que sob pseudônimo, defendendo a tese
de que a “revolução social” seria realizada através
do Imposto de Renda progressivo. Lembrava, naquela
ocasião, que tal imposto figura em segundo lugar
no Programa em 10 Pontos do Manifesto Comunista
de 1848, para a Revolução socialista que Marx
planejava. Marx esquecia, porém, que vários tipos
de imposto sobre a renda já haviam sido aplicados,
meio século antes, e leis suntuárias com propósito
idêntico existiram desde a época romana. Geralmente
tais medidas haviam sido elaboradas por monarcas
absolutos a fim de extorquir, em seu próprio benefício,
a fortuna dos ricos e, em alguns casos, por motivos
conjunturais. Em 1799, William Pitt o introduziu
para custear a guerra contra a França. Sua progressividade
foi adotada ao tempo da Iª Guerra Mundial, tendo
em vista, não propósitos “sociais”, mas simplesmente
homicidas: cobrir as despesas com a matança mútua
nas trincheiras. O que hoje se passa não é diferente.
A imposição fiscal visa encher as burras do Tesouro
de maneira que os marajás da Nomenklatura se possam
locupletar com altos salários. Para onde vai o
dinheiro recolhido pelo Fisco senão para financiar
deputados, senadores, vereadores e inumeráveis
cupinchas; juizes que constróem monumentos faraônicos
e determinam sua própria remuneração; e burocratas
aos milhões, da “Nova Classe “ de Vira-bostas
ativos (raramente) ou aposentados (consumindo
18% do PIB), que guarnecem os executivos federal,
estaduais e municipais. Todos estes pouco contribuem
para a produção nacional, enquanto muito consomem.
O que então se pode dizer é que tal imposto representa
a principal arma do Estado burocrático patrimonialista
para extorquir dinheiro do setor privado da economia,
o único produtivo. Injusto, incoerente, ineficaz,
sujeito aos caprichos da autoridade, difícil de
ser recolhido e exigindo enorme máquina administrativa
para coletá-lo, o imposto tem sido uma maneira
extremamente grosseira de recolher fundos para
o crescimento monstruoso do Estado, como ocorre
em todo o mundo desde o fim da IIª Guerra Mundial.
Nos Estados Unidos, onde é quase tão pesado quanto
no socialismo da Escandinávia, 43% do tributo
ao nível federal e estadual dele procede. A característica
principal desse tipo de taxação é sua arbitrariedade.
Li num recente artigo que um americano de 93 anos,
já esclerosado, mandou ao Internal Revenue
um cheque de US$7.000 que não devia. Embora reconhecendo
o erro, o Governo jamais restituiu a soma à família
do contribuinte falecido e inúteis foram os recursos
judiciais impetrados, mesmo até a Corte Suprema.
Algo semelhante me aconteceu. Por força de lei,
estou dispensado de contribuição por haver sofrido
“patologia cardíaca grave”. Não obstante a Receita
Federal cobrou-me multa por haver ela mesmo restituído
“a mais” um saldo a que eu tinha direito (o enfarte
aconteceu sete anos antes) por imposto pago após
a data da apostila de isenção, na portaria de
minha aposentadoria. Com o Leão não se discute:
é um bom conselho de sabedoria existencial...
O argumento invocado pelos defensores do Imposto
de Renda progressivo é que atende às exigências
da Justiça Social (o que quer que signifique essa
expressão espúria). A realidade é que ele afeta
indireta e negativamente a produção e a poupança.
Imposto verdadeiramente “justo” seria o que recai
sobre o consumo: além de fácil recolhimento, possui
a vantagem de não tocar na poupança, reduzir o
“custo Brasil” dos produtos exportados e discriminar
as despesas extravagantes dos ricos gastadores.
Imposto ideal mesmo é o CPMF, caso fosse único
(juntamente com alguns poucos outros conforme
sugerido por Ives Gandra). O CPMF é automático,
impermeável à sonegação e redutor da burocracia
do Fisco.
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