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Considerações sobre Chávez, Fidel e El Che


Considerações sobre a guerra civil espanhola


Creta e um outro Tsunami

 
 
     

Jornal da Tarde, 12 de junho de 2000
Considerações melancólicas
O serviço público tem crescido sempre, através de todas as crises, em tamanho, custo e peso porcentual na economia

 
 

A administração da Universidade de Brasília exige minha presença no Pessoal, para provar que estou vivo. Vivo estou, invadido embora de humor melancólico. Há exatamente 61 anos - desde o primeiro contracheque, equivalente a 50 dólares no degrau inicial da carreira que segui - tenho religiosamente recebido a remuneração devida sem qualquer interrupção. Tanto mais admirável é a constância desse processo quanto, durante todos esses anos, mudou o Brasil muitas vezes de presidente, de constituição, de regime e moeda, mudou de tudo e atravessou duas dúzias de revoluções e golpes - passando de sub-desenvolvido com uma população de 40 milhões e um PIB de 3 ou 4 bilhões de dólares, para uma economia possante de potência média. Sólido como o Pão de Açúcar mantém-se a Cosa Nostra: o segredo de um serviço público que sempre, através de todas as crises e até mesmo guerras, tem crescido em tamanho, custo e peso percentual na economia, com o corolário do crescimento dos impostos. Já meditara Benjamin Franklin: certo é no futuro a morte e maiores impostos... Mas quem sabe qual o número de “servidores”(?) federais, estaduais, municipais e nas estatais? Dez milhões, quinze milhões? Um deles, o Seu Nicolau, talvez tenha realizado 140 milhões de dólares, espertíssimo! A ilustre classe dos Incluídos, da qual sou um dos mais antigos e envergonhados membros, consome um terço do PIB nacional, sustentada que é por 34% deste mesmo em impostos, sem falar em palácios, proveitos, mordomias e falcatruas diversas, extra-orçamentárias. O déficit do INSS sofre o peso dos R$46 bilhões anuais de aposentados federais, entre os quais com dignidade me coloco... Quantos bilhões nos estados e nos municípios, roubados ou desperdiçados em bancos estaduais, escondidos no exterior e cimentados em edifícios faraônicos para gáudio de senadores e construtoras favorecidas? No país mais rico do mundo, os deputados financiam suas próprias residências em Washington e suas limusines, sem direito a motorista. Aqui, merecem maiores recompensas... Contemplem agora a imensa torre circular, digna de um museu Guggenheim, que vai abrigar o eminente Procurador Geral da República e seu staff? E os esqueletos de concreto do Morumbí? Uma notícia no Estadão me dá conta de que o prefeito da obscura Jandira padece com o salário de R$24.000, coitadinho. Em Minas Gerais, 500.000, quase tantos quanto os da União, assessoram o apolíneo, honestíssimo e ativo vice-governador, nas horas vagas do genial e inativo governador: assim confirmando o velho moto “cinco anos pr´a frente, cinquenta para trás”... As Alterosas são também campeãs de municípios, destinados a superar o desemprego, empregando todo mundo com os repasses de recursos da União. Pergunto, caro leitor, quem não quer ser deputado, prefeito, vereador, secretário desses fantasmas que sugam a riqueza nacional? Façam greve! Os professores e seus estudantes assim contribuem para melhorar a educação, com uma omelete na cabeça de ministros; e os médicos para melhorar a saúde que assim se converte em “direito”, como exige a Constituição. Quem não deseja ser imortal? Aliás, por falar em professores, verifiquei por um quadro recente no Estadão que os duzentos da categoria superior ganham mais do que os embaixadores. Escolhemos mal a carreira e nunca fizemos greve! A distribuição de Justiça também deve haver melhorado depois da dos meritíssimos marajás, com a construção de seus opulentos tribunais.

O Partido dos “Trabalhadores” do setor público não quer outra coisa: aumentar o Estado. Seu Presidente, ex-colega do Putin, ameaça usar de violência, se necessário quebrando os ovos da galinha dos ovos de ouro. Na omelete socialista, a receita é redistribuir, sem jamais se esquecer de si-próprio, como advertia Trotsky. É verdade que o desequilíbrio das contas públicas permanece como uma espada de Dámocles sobre a economia do país, mas quem se preocupa? Mais empregos públicos, maiores salários, um mais volumoso, faminto e arcaico Dinossauro. Pois, como admiravelmente notara o maior economista francês do século XIX, Frédéric Bastiat, não é o Estado a “grande ficção que permite a todo mundo viver às expensas de todo mundo”?