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Parafraseando
Tocqueville, que se referia aos Jacobinos, podemos
propor a tese da existência de muitos intelectuais
brasileiros honestos, muitos inteligentes e outros
que rezam pela cartilha marxista. O que jamais
poderá ser encontrado seria a conjunção dessas
três qualidades num mesmo indivíduo. A proposição
se aplica aos bispos da CNB do B que, em abril
último, redigiram a “Análise da Conjuntura”. Entre
eles deve haver muitos inteligentes e honestos
em suas convicções e alguns marxistas. Acontece
que os simultaneamente inteligentes e honestos
não devem haver colaborado na redação do documento,
tão considerável é nele o amontoado de mentiras,
tolices e sintomas de fanatismo ideológico. A
análise começa com uma citação fantástica Dom
Helder Câmara segundo a qual foi Cristo crucificado
pelos ricos! Ora, ao contrário do que afirmava
o ilustre falecido invocando Lázaro, foi na residência
desse ressuscitado que Cristo taxativamente refugou
Judas Iscariotes, que criticava Maria de Betânia
por gastar perdulariamente com perfumes caríssimos
para lavar os pés do Senhor, ao contrário, de
distribuir aos pobres os cem denarii da fragrância.
Ao Bofe da Libertação Cristo retrucou: “os pobres,
sempre os terei, mas a mim não”. Quando foi Cristo
crucificado poucos dias depois, após parecer do
Sinédrio (a CNB do B da época) “onde os escribas
e os fariseus estavam reunidos”, seus apóstolos
fugiram espavoridos. E foi precisamente um personagem
“rico e poderoso”, José de Arimatéia, quem o sepultou
(Mateus 27:57), ato que, segundo a tradição judaica,
era atribuído ao mais fiel amigo. Comprova-se
assim tenha sido Dom Helder melhor leitor de Marx
do que dos Evangelhos...
Mas em suas indevidas e absurdas expectorações
ideológicas, a CNB do B decreta ser a globalização
“a grande utopia do novo milênio, cheia de equivocos”,
a ela preferindo “uma globalização da solidariedade”,
esta não definida. Ao invés de citar as encíclicas
do Papa que, como católico (de kat-holon, “global”),
é na Centesimus Annus favorável à dita e à economia
de mercado, o documento invoca a autoridade de
uma porção de autores desconhecidos ou grandemente
suspeitos por sua deplorável contaminação pela
AIDS ideológica (Milton Santos, Paulo Nogueira
Batista, Ibrahim Warde, Gretchen Morgensen, Joseph
Stiglitz, Alain Touraine e outros da publicação
francesa mais conhecida como “L´immonde diplomatique”,
assim como Márcio Moreira Alves, o homem do AI-5).
Isso não é de admirar aliás. Nota-se a presença
no venerável rol dos escribas e fariseus do documento
incriminado os jesuítas Linard de Guertechin e
Bernard Lestienne (não serão eles de Louvain,
por ventura?). O mais curioso, porém, é que, revelando
seu total desconhecimento de economia mas nela
atrevidamente penetrando, a CNB do B faz um escarcéu
com a queda das bolsas dos Estados Unidos, nação
que seria responsável pela “pauperização mundial”...“com
sua lógica perversa sob o império da falta de
ética” - isso, exatamente no momento em que as
aludidas bolsa e poderosa nação registam um longo,
inédito e surpreende período de crescimento do
qual depende, justamente, a prosperidade também
inédita da economia mundial. Embora várias vezes
citado, o embaixador Rubens Ricúpero aconselha
(longe de antenas parabólicas, evidentemente...)
“um processo socrático de busca da verdade”, coisa
que os bispos parecem dispostos a evitar. Eles
falam numa “recolonização latino-americana” e
invocam o prof. Nielsen de Paula Pires, medíocre
ex-jesuíta que violou seus votos de castidade,
para enfatizar as dificuldades econômicas do Chile.
Ora, esse país, que gozou quinze anos de fantástica
prosperidade graças às receitas liberais dos Chicago
Boys, entrou em recessão sob os governos, precisamente,
dos governos do democrata cristão Frei e do socialista
Lagos. Os julgamentos arbitrários e mentirosos,
com a sugestão de não-pagamento da dívida externa,
completam o documento desvairado. Não me estenderei
sobre as outras aberrantes posturas políticas
dos bispos em defesa do “pensamento hegemônico”
gramsciano, nem do flagrante desrespeito à advertência
do Papa contra a intromissão de sacerdotes em
política partidária. Basta concluir que esses
sacerdotes parecem haver descoberto a correta
receita salvífica no princípio “Marx na cabeça,
uma hóstia na língua e um automóvel na garagem...
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