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Deve a educação em seus três níveis, fundamental,
médio e superior, ser livre e mantida pela iniciativa
privada; ou deve ela ser estatal e inteiramente
dependente do poder público?
Minha resposta a essa questão se sustenta na
realidade de uma educação brasileira medíocre.
Registamos ainda um alto coeficiente de analfabetos,
um número vergonhoso de iletrados funcionais e
nosso sistema universitário é tão precário e comprometido
que qualquer jovem desejoso de elevar-se numa
carreira profissional liberal é obrigado a fazer
ou complementar seus estudos na Europa ou nos
Estados Unidos.
Verifica-se que o Estado, notoriamente corrupto
e ineficaz, possui um poder dominante no ensino
de primeiro grau e no ensino superior. O ensino
médio é o único com uma presença marcante da iniciativa
privada. Isto cria um gargalo que favorece as
classes altas, abastadas. O jovem de família de
classe média para cima vê aberto o final de sua
educação em Universidades, federais e estaduais,
gratuitas - numa estrutura anti-democrática arcaica
que favorece o controle patrimonialista do poder.
O atual esforço dirigido contra as escolas privada
tem por fim estatizá-las e completar o domínio
de toda a educação pelos marxistas da vertende
gramsciana. Os professores, em grande parte filiados
à CUT, exigem aumento de salários e contaminam
o ensino com seus preconceitos ideológicos de
esquerda, enquanto os pais dos alunos pedem redução
de mensalidades e o Estado aumenta os impostos.
O objetivo óbvio é liquidar com o único ensino
que pretende ser livre em nosso país. No Ensino
universitário, a concorrência desleal, exercida
pelo poder político que fornece um ensino gratuito
para as classes patrimonialistas ligadas ao Estado
- representa um privilégio da Nomenklatura burocrática
e um escândalo perverso do ponto de vista da alegada
“justiça social”. Significa estar o país deliberadamente
dando as costas às perspectivas de progresso,
desenvolvimento econômico e integração no novo
mundo globalizado, segundo os princípios da democracia
liberal moderna.
O baixo nível geral da educação está associado
a essa hegemonia exercida pelo Estado - um estado
centralizador segundo o modelo positivista-socialista,
imposto ao país com a República e autoritário
na tradição da Contra Reforma e do Absolutismo
monárquico ibérico - servindo-se da educação para
recrutar burocratas subservientes e egoístas.
Que esse Estado é corrupto e ineficiente, a prova
empírica a obtemos diariamente pelo noticiário
da imprensa e da TV. Os países adiantados da Europa
e América do Norte, com alto nível educacional,
seguiram o modelo anglo-saxônico que entregou
o ensino a corporações privadas, originariamente
de natureza religiosa e sustentadas por doações
filantrópicas, e às comunidades municipais. A
tradição da public school, não obstante
o nome, era a de um ensino descentralizado em
que o Estado, substituindo-se à Igreja da Reforma,
não metia o bedelho. Foi essa public school
privatizada quem forneceu a elite responsável
pelos prodígios da civilização moderna.
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