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Na aurora da história era a transmissão do pensamento
efetuada exclusivamente por via oral. Até a época
dos gregos e romanos, ainda se respeitava essa
forma restrita de comunicação - sendo o cultivo
da memória importante não só na retórica mas para
a transmissão da cultura. Platão ainda a isso
se refere no Phaedrus (274) Recordemos
que três dos homens que maior influência exerceram
sobre a Humanidade, Sócrates, Gautama Buda e Cristo,
nada escreveram. A primeira grande revolução cultural
foi a invenção do livro pelos egípcios. A segunda,
como se sabe, teria ocorrido originariamente na
China, mas só em meados do século XV teve impacto
universal, com Gutenberg (+1468). Entre outras
coisas, a tradução e impressão da Bíblia teve
como resultado a Reforma protestante, simplesmente.
Estamos agora no limiar do terceiro desses grandes
saltos culturais, o texto eletrônico - ou seja,
na tela do computador e sua transmissão e venda
via internet. Na década dos 60, Marshall McLuhan
profetizou a globalização da transmissão eletrônica
com o desaparecimento do livro. Na realidade,
o que está ocorrendo é um enriquecimento, barateamento
e universalização dos processos mais avançados,
sem prejuízo das formas escritas anteriores. O
fato que nos comunicamos pela Web não impede que
continuemos a conversar e ler livros - um método
muito prático e confortável demais de manuseio
para ser abandonado. Na Biblioteca Pública de
Nova York, dez milhões de contatos por e-mail
são registados mensalmente, contra 50 mil livros
emprestados. O próprio Bill Gates confessa que
avanços tecnológicos radicais terão de ser inventados
antes que possa a telinha substituir tudo aquilo
que podemos trabalhar num folha de papel. De qualquer
forma, as editoras, as livrarias e as bibliotecas
devem preparar-se para grande declínio proporcional,
diante dos avanços da Web. Falando da “Próxima
Revolução nos Livros” na New York Review of
Books de 27 de abril, Jason Epstein, admitindo
embora que a publicação de livros é uma atividade
artesanal mais do que um negócio convencional,
confessa que os publishers mais famosos,
Random House, Knops, Doubleday, Putnam, Scribner,
enfrentam problemas sérios, eis que todos os livros
não podem ser bestsellers -obrigando-os
a se integrarem a grandes corporações cujos lucros
dependem de outras atividades. Pior ainda é a
situação no mercado livreiro. Os gastos de infra-estrutura
são cada vez mais elevados, de maneira que a solução
se encontra nas grandes redes de venda pela internet
como a gigantesca Amazon. Mesmo uma rede
tão prestigiosa quanto a Barnes & Noble
suplementa a precariedade das lojas pelo recurso
à eletrônica. Sobreviverão as Editoras Universitárias
para livros especializados e filosóficos. Um autor
de enorme produtividade de bestsellers policiais,
Stephen King, resolveu de outro modo. O homem
escreve, imprime, encaderna e vende seus livros
em casa, com Telefone, Internet e uma Xerox Document
Binder 120.
No Brasil, embora ainda em menor escala, o mesmo
fenômeno se está registando. O brasileiro pouco
lê e a sobrevivência do livreiro individual se
faz precária. O crescimento explosivo do computador
é uma solução. As grandes redes como a Saraiva,
a Siciliano, a Nobel se expandem - enquanto sobrevivem
as Editoras clássicas quando apoiadas por outras
empresas ou sustentadas por um ramo ou título
particular. Exemplo: a Nova Fronteira que vive
do dicionário Aurélio. Ora, essa situação dramática
cria problemas para quem, modestamente como eu,
deseja publicar suas obras. Estou, consequentemente,
recorrendo às editoras eletrônicas. Já dois títulos
publiquei por uma pequena empresa pioneira do
Rio. Ai que Dor de Cabeça!, é um
opúsculo leve de 55 página contendo “alguns dados
informativos e sugestões para aqueles que sofrem
de enxaqueca”. E Urania é uma espécie
de romance de ficção-científica onde, em tom satírico,
discuto a conquista do espaço, discos voadores
e E.T.s, e a Pluralidade ou Singularidade dos
Mundos Habitados. Podem ambos ser encomendados
por e-mail à editor&papelvirtual.com.br.
A vantagem do sistema é o baixo custo de investimento
e resultante baixo preço de capa. Estou negociando
com uma recém fundada Editora eletrônica de S.Paulo,
www.ieditora.com.br,
relacionada com as Livrarias Nobel, para que acolham
três outros títulos de minha autoria. Um campo
enorme de possibilidades está surgindo. Aproveitem!
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