|
Toda profissão tem seus percalços. O Jornalismo
também, tanto quando se escreve para os jornais
como quando se os lê. Comecei a contribuir para
folhas do Rio há mais de 30 anos e me transferi
depois para as de S.Paulo. Uma série de episódios
registados nessa atividade são curiosos ou divertidos
como ilustração das surpresas que nos acometem
quando assim manifestamos opinião pela palavra
escrita. No fim dos anos 50, Chefe então do Departamento
Cultural do Itamaraty e me entusiasmando pela
construção da nova capital, escrevi que Brasília
teria o efeito de suprimir a fatalidade das intervenções
decisivas da guarnição da Vila Militar do Rio
nas graves crises políticas do país. Ora, isso
foi dito no início do governo JK, garantido pelo
“golpe do Lott” em 1955. Como esse “pronunciamento”
militar favorecera um evento apoiado pela “Esquerda”,
fui acusado de “direitista” e “conservador”. Logo
em seguida, o apoio prático que concedi à divulgação
da Nova Capital no exterior teve o efeito contrário
de fazer-me cair nas más graças da “direita” udenista.
Sobejaram então as acusações de haver escrito
“Quando Mudam as Capitais” como instrumento de
minha promoção na carreira. Os principais insultos
sofridos emanaram da TRIBUNA DE IMPRENSA, então
órgão da “direita”. Posteriormente, quando foi
comprovada minha justa antecipação de que a guarnição
carioca não mais decidiria a parada, passei a
ser acusado de fascista e entusiasta da ditadura
militar. No Itamaraty, essa aleivosa acusação
comprometeu-me na carrière, embora tenham
os “terceiro-mundistas” colaborado com o regime
militar tanto quanto eu. Na realidade, eu antecipara
o colapso fatal da tenebrosa ideologia totalitária
o que duplamente se confirmou em 1945/1989. Incidentalmente,
em março 1964 eu era embaixador na Nigéria, designado
para esse posto longínquo e inconfortável pelo
inepto Presidente Goulart. Posteriormente a 1980,
a grande massa dos políticos e intelectuais brasileiros
passou a obscurecer o passado em benefício de
uma nova moda marxista. O annus mirabilis de
1989 não foi até agora registado neste país, infelizmente:
a vanguarda do atraso gramsciana continua controlando
os mídia.
Nos anos 70, alarmado com o crescimento explosivo
da população brasileira, entrei na campanha pelo
controle da natalidade. Esta teve algum sucesso,
com os índices de crescimento demográfico caindo
de 3% a 1,2%. Sofri na época uma série inacreditável
de injúrias, de novo de parte da “direita”. O
mais curioso foi o de uma dama caridosa que, se
dizendo católica fervorosa, sugeriu que, ao invés
de “matar os fetos” para reduzir a natalidade,
o país deveria “matar os velhos” para reduzir
a senilidade que me era atribuída... Belos sentimentos!
Numa revista paulista, fui infamado por outro
motivo. Um certo Senhor Lancellotti, membro da
Corte do Rei Arthur, denunciou-me por ser membro
da Censura que perseguia “O Comportamento Sexual”
apresentado na TV por uma sexóloga, ulteriormente
convertida em política com o fim de suplementar
a debilidade mental de seu digno esposo. Como
nunca pertenci a nenhum órgão censor, nem mesmo
sabia quem era “Dona Marta” cujo comportamento
sexual, bom ou mal, não me interessa de modo algum,
a acusação era inteiramente gratuita. São os ossos
do ofício... Não desejo prolongar este embaraçoso
relato. A última peripécia de meus confrontos
com a imprensa marron é recente. A 17 de janeiro
último, um colaborador dessa mesma TRIBUNA DE
IMPRENSA - o principal órgão utilizado por Carlos
Lacerda como um dos líderes civis do golpe de
64 - me acusa de haver “servido à ditadura dos
generais” e haver sido “o guru filósofo da tortura”
(sic). A ira do Senhor Argemiro Ferreira contra
minha pessoa e meu amigo “Bob Fields”, a quem
muito admiro como um dos homens mais lúcidos do
país, se deve provavelmente ao fato de haver sido
condecorado pelo coronel Gadafi por defender o
uso do terrorismo contra aviões americanos (o
aparelho da Panamerican que caiu na Escócia matou
mais de 350 pessoas!). Sou de fato inimigo do
terrorismo e da tortura mental promovida pela
Esquerda Gramsci. E creio que órgãos como a TRIBUNA
só podem mesmo é servir de papel higiênico para
o grotesco e disentérico ditador militar líbio.
|