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Muitos
observadores hão notado uma predisposição histórica,
em nossa mentalidade coletiva: períodos de euforia
se sucedem a crises de depressão, e vice-versa.
O carnaval da Presidência JK, momentaneamente
interrompido, foi sucedido pelo "ninguém
segura este país!", recaindo na austera e
vil tristeza da transição do regime militar para
as "diretas já" que nos trouxeram um
Collor e um Itamar, que dose para cavalo! Traço
curioso: aos períodos cíclicos correspondem ondulações
na economia. Ao "milagre brasileiro"
de 1967/75 sucedeu-se a "década perdida"
que nos trouxe a estatização galopante do Geisel,
o "cheiro das cavalariças" do Figueiredo
e a hiper-inflação do Marimbondo de Fogo. A alegria
dos "caras pintadas" com a redemocratização
minguou no desastre constitucional de 1988. Com
o início da Presidência FHC, retornou o otimismo
que agora decai para a trigésima "maior crise
que o país atravessa"! Toda sucessão naturalmente
traumatiza o paciente esquizofrênico. Uma análise
psiquiátrica da ciclotimia seria aconselhável,
mas poucos especialistas existem na matéria. Ela
não é ensinada nas escolas de medicina, menos
ainda nas de sociologia que preferem no currículo
a "luta de classes", a "exploração
burguesa" e a "mais-valia". No
vácuo evidente dos estudos psicossociais, atrevo-me,
embora desprovido de diploma, a sugerir um diagnóstico.
O exame do paciente demonstra a existência de
duas correntes opostas, em rota de colisão. A
primeira é reacionária, cindida entre "esquerda"
petista e "direita" nacionalista. Anseia
pelo socialismo e a mamãezada. Sonha com o retorno
do líder carismático, "o Pai dos Pobres",
o Dom Sebastião ou o barbudo ‘Cavaleiro da Esperança"
que "vai salvar o Brasil", punir os
maus, prender os corruptos, impor a justiça, a
igualdade e a felicidade, chorando, gritando ou
mesmo matando. Teme o desembarque de marines
na Amazônia, clama contra a "entrega de 450
klms2 do sagrado território nacional" em
Alcântara e abomina o "imperialismo americano",
único responsável pelo atraso desta nossa pátria
adorada, idolatrada, salve, salve!
Nenhuma
melhor descrição conheço dessa vertente histérica
da nacionalidade do que escreveu Alexis de Tocqueville
em 1840 em seu famoso "De la Démocratie
en Amérique": "Sobre essa raça de
homens impera um poder imenso e tutelar quie se
atribui a obrigação exclusiva de gratificá-la
e presidir sobre seu destino. Esse poder é absoluto,
minucioso, regular, providente e suave. Seria
como uma autoridade de pai se, como essa autoridade,
fosse seu propósito preparar os homens para a
idade adulta; mas ele procura, ao contrário, mantê-los
em perpétua infância(...)Para sua felicidade tal
governo trabalha com prazer mas deseja ser o agente
único e árbitro exclusivo dessa felicidade (...)Assim
cada dia torna menos útil e menos frequente o
exercício da livre capacidade do homem; circunscreve
a vontade num âmbito cada vez mais estreito e
gradualmente o priva de todos os usos que, de
si mesmo, pode fazer."(II, IV,6).
Em rota
de colisão, dizia eu, corre aceleradamente uma
outra tendência, otimista, corporificada e fortificada
no setor privado da economia, formal e informal,
e já liberta da tutela do Papai/Mamãe estatal.
Para minha surpresa, descobri no Relatório 2001
do Banco Mundial sobre os "Indicadores do
Desenvolvimento", segundo a "paridade
do poder de compra" (Puchasing Power Parity),
que coloca o Brasil com um PIB de US$ 1,148 trilhões
(quase US$7,000 percapita), equivalente ao da
Itália, próximo da França e muito superior ao
do Canadá ($776) e Rússia ($1,022). Em outras
palavras, seríamos a sexta potência econômica
do mundo - precedidos apenas pelos USA, China,
Japão, Alemanha, França e Reino Unido. De onde
concluo que o principal objetivo atual da diplomacia
brasileira deveria ser o de reivindicar nossa
participação no Conselho das Potências dirigentes
do mundo. O Grupo dos Oito passaria a ser Grupo
dos Nove. Meu receituário para a cura da Pseudodoxia
Epidemica que nos afeta histericamente: não
ler o noticiário dos jornais e TV, pois só tratam
de crime e corrupção, descurando de apontar para
a inépcia arrogante e suja da Mamãezada estatal.
Sursum Corda! No setor privado,
o Brasil vai indo muito bem, obrigado.
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