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Segundo o Aurélio, o termo assassino procede
dos "comedores de haxixe" (uma espécie
de maconha) que constituíram uma seita ismaelita,
notável por seu pendor homicida, na Pérsia do
século XI. Ramo heterodoxo do Xiismo, os "assassinos"
eram seguidores de um fanático, Hasan ibn Sabbah,
que, controlando fortalezas inexpugnáveis na Síria
e no Irã, mataram em ataques suicidas o primeiro
dos grandes sultãos turcos, Alp Arslan, e vários
vizires - sendo finalmente eliminados pelas invasões
mongóis. Eles herdaram do Xiismo uma crença extrema
na obediência cega ou submissão (Islam).
Na paixão e valor do sacrifício, com recompensa
final no paraíso de bem-aventurança que o haxixe
proporcionava, eram fortemente influenciados pelo
maniqueísmo que os proclamava únicos servos do
verdadeiro Deus, defensores do Bem e destinados
a morrer numa "guerra santa" (jihad)
contra todos os infiéis, cultores de Satã - que
seríamos todos nós... No período entre as duas
guerras mundiais, quando o Islam começou a ressurgir
de séculos de modorra e declínio, muitos observadores,
atentos ao fenômeno do nacionalismo árabe, apontaram
para o fato que o próprio Islam é uma reação histórica
dos povos do Oriente médio contra a civilização
greco-romana, posteriormente cristã, que se estendera
com as conquistas de Alexandre. Hermann Keyserling
foi o primeiro a comparar o nazismo ao Fundamentalismo
xiita. O reverso seria mais verdadeiro: o mesmo
ódio, o mesmo pendor belicoso, assassino e suicida.
Naturalmente, os povos orientais, turcos, indianos,
indonésios, malaios ou chineses que, nos mil anos
da expansão do Islam, se converteram à mensagem
do Profeta, não herdaram a mesma tendência anti-ocidental
porque seus inimigos pagãos eram asiáticos. Mas
no coração do Fundamentalista xiita está o inextinguível
rancor contra a Europa e tudo que ela representa.
Só podemos explicar o furor irracional dos palestinos
contra Israel porque é este uma cunha ocidental
no próprio âmago do Islam: os judeus foram traidores
que ensinaram a Maomé tudo que escreveu no Corão,
mas recusaram a conversão que o Profeta lhes oferecia.
A posse da Esplanada do Templo em Jerusalém é
um símbolo da feroz ambivalência em relação à
Cidade Santa das duas outras religiões, embora
o único título que a ela possuam seja a lenda
que Maomé a visitou, montado no cavalo alado Barak,
para de Deus receber a Revelação. Mas não são
as Mil e Uma Noites a obra de imaginação mais
desvairada e o que de mais eminente criou a literatura
árabe? Foi contudo a contaminação do Xiismo pelo
dualismo iraniano e o maniqueísmo, acoplado com
a paixão suicida dos que desejam vingar a morte
de Hussein (ano 680), filho de Ali, o genro do
Profeta, também assassinado pelas rivalidades
políticas dos sucessores - o que explicaria essa
fúria sanguinária dos sectários. Os dados históricos
acima oferecidos procuram dar uma explicação religiosa
e psicológica dos motivos pelos quais o Fundamentalismo
islâmico se transformou no mais perigoso adversário
do movimento de globalização econômica, política
e cultural que se regista no novo milênio. Uma
religião de cega "submissão" ao ímpeto
assassino, como forma de cultuar o Deus da Verdade
e eliminar os partidários do Grande Satã, não
pode senão recorrer a esse tipo particularmente
nojento de combate.
Certo, o terrorismo não é unicamente islâmico.
No cerne da cultura da esquerda jacobina romântica,
gerada por esse outro falso profeta paranóico
que foi Rousseau, está encravado o terrorismo.
O Terror foi o produto da violência revolucionária
da França de 1793. Tratava-se de purificar a humanidade,
cortando a cabeça dos méchants, dos ricos
e poderosos que oprimem os "miseráveis".
Uma cultura xiita, propriamente ocidental, acompanha
a evolução da democracia pela mão esquerda, literalmente
sinistra, de mau agouro, funesta e mortal,
da equação ideológica sob a qual vivemos. O terrorismo
é sua arma predileta. Sobretudo agora que o poderoso
suporte geo-político que o sustentava, a URSS,
desmoronou de uma maneira menos ruidosa do que
o World Trade Center. Terrorismo, o estamos descobrindo
por toda a parte. O mundo saiu da Idade das Guerras
para penetrar na Idade do Crime. Facção Vermelha
na Alemanha, IRA na Irlanda, ETA na Espanha, FARC
na Colômbia, Montoneros na Argentina, Che Guevara
em Cuba e na Bolívia, e os asseclas do Marighela
que o Exército Brasileiro desbaratou na década
dos Setenta são versões diversas, de variada virulência,
do mesmo fenômeno que Bin Laden representa no
Oriente Médio. Vide o recente livro A Grande
Mentira, do general Aguinaldo Del Nero (Edit.
Biblioteca do Exército). Atualmente, o MST é o
germe da nova transmigração. Lula, Chávez e Fidel
já se apresentam como os patronos do novo Xiismo
fidelista-bolivariano-tupiniquim. Não me admiraria
se, caso sobreviva, seja o milionário saudita
convidado para encabeçar o gigantesco "Foro
Social" que o bigodudo governador gaúcho
está planejando para o próximo ano. O "marketing"
já está sendo preparado quando vemos uma locutora
da TV-Cultura fazer a apologia da destruição do
WTC, sugerindo que o "Grande Satã" está
em declínio, eis que não consegue nem mesmo defender
o coração de seu poder financeiro e militar contra
sua própria "extrema-direita" - o que
dá uma idéia, aliás, do tipo de informação que
o MEC está fornecendo à juventude brasileira.
O fato é que, em todo o mundo e não somente entre
os palestinos, a esquerda sinistra, totalmente
irracional, exultou com o golpe "mortal"
dado ao "imperialismo"...
Mas examinemos agora a reação ao atentado. A
democracia liberal sofre, infelizmente, de sua
própria natureza tolerante. A impunidade é frequentemente
confundida com "direitos humanos". A
explosão de criminalidade em nosso país resulta
do próprio bom-mocismo governamental, sendo regularmente
interpretado como resultante não da perversidade
do criminoso, mas de vários alibis sociais e responsabilidade
da polícia. O Mundo Livre sofre do mesmo mal.
A imprevidência e falhas na segurança dos aviões
demonstram que, se suas autoridades foram apanhadas
"descalças" (with their pants down...),
a culpa é do comodismo de uma próspera e pacífica
população que não sofreu qualquer invasão estrangeira,
desde a guerra de 1812.
Como vão os americanos reagir? Todos os potenciais
inimigos dos USA já estão humildemente se ajoelhando,
pedindo condescendência, inclusive o bravo Fidel!
Bush fala ominosamente em retaliação. Mas retaliação
contra quem? Contra a Argélia, com um governo
militar que luta desesperadamente contra Fundamentalistas?
Contra Gadafi na Líbia, cuidadosamente calado
desde o bombardeio de 1986 contra seu valhacouto
de piratas aéreos? Contra o Líbano, a Jordânia,
o Egito, a Arábia Saudita, esta última terra natal
de Bin Laden, todos aliados dos USA e sofrendo
na carne os ataques de seus Fundamentalistas indígenas?
Contra o Irã dos aiatolás, em luta interna de
seu Presidente eleito contra os extremistas religiosos?
Contra a Síria dos Hezbollah e do Jihad, inimiga
implacável de Israel, mas sob nova liderança,
mais moderada? Será contra o Iraque onde permanece
o déspota presunçoso, duas vezes derrotado mas
continuando a desafiar a OTAN com suas fábricas
secretas de engenhos nucleares, biológicos e gazes
venenosos? Contra o Turcomenistão e Kazaquistão,
fronteiriços do Afeganistão? Contra o próprio
regime machista mais detestável da área, o Taliban
que apedreja mulheres, destrói monumentos budistas,
mata a torto e a direito e acolhe o terrorista-mor?
Provavelmente, este será "expulso" e
se esconderá na região montanhosa mais inacessível
do planeta, o Pamir. Como apanhá-lo? Vamos assistir,
dentro em breve, a uma das mais extraordinárias
novelas de aventura do cinema, a não ser que Kabul
compre sua segurança, entregando o criminoso.
Em princípios do século passado, Theodore Roosevelt
pronunciou uma frase famosa que, desde então,
tem sido interpretada para denunciar o "imperialismo"
ianque: "Fale de mansinho e carregue uma
borduna!" Quem melhor conhece a história
sabe que Cuba e as Filipinas foram por ele libertadas
dos espanhóis e da arrogância colonial européia
contida na Venezuela, Panamá e República Dominicana.
Os que temem o poder hegemônico dos Estados Unidos
ou crêem em seu declínio estão muito enganados.
Na luta entre "o bandido e o mocinho",
saiam da frente quando este se zanga. Genocidas
como Lênine, Stáline, Mao Dzedong e Polpot escaparam
da fúria. Hitler e Tojo não. O terrorismo é a
nova forma, a mais covarde e horrenda de combate
no novo século. Mas aguardemos o revide do xerife
do Liberalismo e do Capitalismo global...
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