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Evidentemente, caros leitores, Vocês podem pensar,
com o pseudo “frei” Betto, que os liberais são
“pedófilos, tarados, estupradores e assassinos
de mulheres”. Mas se souberem que esse Senhor
não é um Domini cani, porém um Luciferi
porcus que tomou como exemplos de pedofilia
Mao Dzedong o qual, diariamente, dormia com meninas
ou soldadinhos da guarda, para demonstrar sua
virilidade de Grande Timoneiro; como exemplo de
tarado o Títio Zeca Stáline, responsável pela
morte de 60 milhões de russos; modelo de estupradores
os vingativos conquistadores de Berlim, em 1945,
com alguma razão talvez, embora eu conheça pessoalmente
uma das vítimas (tinha 16 anos na época!); e como
assassinos de mulheres os dois sobreviventes do
Khmer Rouge a serem julgados na Cambódia, por
haverem eliminado uma terça parte da população
do país; ou o Líder Máximo Kim Jongil, da Coréia
do Norte, cuja economia é tão próspera que, no
inverno, os camponeses famintos são obrigados
a se alimentar com as recém-nascidas supérfluas
- então vos aconselho a procurar informação em
fontes mais seguras e limpas.
Um chafariz perfeito é a recém-publicada tradução
do livro do eminente escritor, publicista e professor
argentino Mariano Grondona, que tem como título
Os Pensadores da Liberdade. Com prefácio
e tradução, aliás impecáveis, do professor Ubiratan
Macedo, a editora é a Mandarim, de S.Paulo, para
a Coleção Biblioteca Liberal do Instituto Tancredo
Neves. Enfim, gente séria, que sabe do que está
falando. Grondona percorre toda a gama do pensamento
liberal, através de doze de seus pró-homens. Inicia
com John Locke, no século XVII, e continua com
Adam Smith cuja obra máxima, “A Riqueza das Nações”
(1776), coincide com a Independência americana,
e com os autores dos Federalist Papers,
James Madison, principal redator da Constituição
e futuro Presidente, Alexander Hamilton e John
Jay. Vêm em seguida Immanuel Kant, para alguns
o maior filósofo europeu; Alexis de Tocqueville,
que considero o maior sociólogo francês e, sem
dúvida, quem mais exatamente antecipou, cem anos
antes, os desafios que a democracia enfrentaria
no passado século; e John Stuart Mill, o inglês
cujos On Liberty (1859) e Principles
of Political Economy (1848), introduzem uma
nova vertente do Liberalismo, hoje conhecida como
“liberalismo social”. É a partir dessa época que
os intérpretes e malfadados sucessores de Rousseau
e Hegel preparam os alicerces onde crescerá a
frondosa árvore do despotismo totalitário, derrubado
em 1989. Devemos perdoar Grondona se dedica um
capítulo a Juan Bautista Alberdi, pois foi, realmente,
um dos responsáveis pelas idéias que proporcionaram
à Argentina aquilo que o Brasil, infelizmente,
não teve, cinquenta anos de abertura, liberdade
e crescimento, período no final do qual (por volta
de 1931) era o quarto ou quinto país mais rico
do mundo. Nossos liberais do século XIX, tão bem
estudados por Antonio Paim e João de Scantimburgo,
não alcançaram nem o renome, nem a influência
exercida por Alberdi.
Nesse percurso, Grondona não incluiu outros grandes
nomes do pensamento liberal como Spinoza, Mandeville,
Montequieu, Burke, Hume - isso porque seu livro
é curto (179 páginas), maravilhosamente claro
e concentrado. O autor quer enfatizar o essencial.
O filosoficamente mais relevante está exposto
numa linguagem amena que torna o ensaio uma preciosidade
para quem deseja enfronhar-se no ABC do Liberalismo.
Depois de dedicar um capítulo a Max Weber, o primeiro
a combater eficazmente no campo da sociologia
os dogmas tolos e empiricamente falsos dos Marxistas,
e outro a Sir Karl Popper, autor de obra famosa
“A Sociedade Aberta e seus Inimigos” -
Grondona termina com um tratamento, a meu ver
insatisfatório, da obra de Mises e Hayek, os grandes
economistas de Viena que fizeram ressurgir o (néo)
liberalismo; e com dois capítulos aos eminentes
filósofos americanos John Rawls e Robert Nozick.
Sobre estes falarei em outro artigo, pois são
atualíssimos, particularmente Nozick. Mas leiam
o livro!
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