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A coerência não é
uma virtude facilmente encontradiça entre
os homens. Menos ainda entre ideólogos.
Sua carência é absoluta entre intelectuários
brasileiros, nossos Talibans e estes procuram,
no momento, estabelecer seu quartel-general em
Porto Alegre onde preparam um denominado Fórum
Social Mundial em que objetivarão, confusamente,
combater o capitalismo e a globalização,
preparando uma nova Revolução Mundial.
Mas examinem a lógica que se circunscreve
ao uso de uma mantra e de um esconjuro. Se em
vez de "mundial", o Fórum fosse
"global", as duas palavras tendo exatamente
o mesmo sentido, o termo passaria automaticamente
de mantra a esconjuro, e seria o propósito
do Fórum exatamente o oposto. A palavra
"social" é sempre um mantra.
Tudo se quer social, ainda que a sociedade seja
composta, necessariamente, de indivíduos
mais ou menos livres, inteligentes e responsáveis.
Gritem "Socialismo", "Justiça
social", "Social-democracia", "Consciência
social", "Exclusão social"
e até mesmo "Liberalismo social"...
e lá vão todos os clérigos
e a gauchada, originariamente castilhista, receber
guerrilheiros mexicanos, narcotraficantes colombianos,
terroristas árabes, bagunceiros europeus,
drogados e roqueiros americanos, e até
um bovino francês condenado como violador
da propriedade alheia e perturbador da ordem pública.
Para reunir toda essa gente, financiada por um
milionário francês, a Ford Foundation,
Jesuítas belgas e os aludidos narcotraficantes
entre outros, organizadores e participantes usam
o que há de mais recente na tecnologia
global: telefones e computadores para comunicações
instantâneas, aviões a jato para
transporte, cartões de crédito e
contas bancárias, passaportes para a travessia
de fronteiras ainda existentes, uma ideologia
global e o uso de línguas estrangeiras,
principalmente o inglês para entendimento
mútuo, digamos entre um bicha tupiniquim,
uma feminista yemenita e um pedófilo de
Louvain. Muita coisa é global nestes dias,
inclusive a estupidez.
O mais curioso no fenômeno
é que sua fonte é principalmente
marxista e foi Marx, fundador da Primeira Internacional,
um globalista entusiasta. Investigando melhor
o que se passa, se descobre sem grande surpresa
que a motivação principal dos arruaceiros
de Seattle, Washington ou Gênova é
a inimizade às pistas de ski de Davos,
através da utilização de
meios técnicos super-avançados,
proporcionados pelo capitalismo. O que me faz
lembrar a rebordosa de 1968. Naqueles distúrbios,
que se estenderam de Paris a Tóquio, e
de Berkeley a Zurique, o pessoal jovem vociperambulava
pelas ruas, gritando slogans contra a autoridade
paterna (Papa pue! era o da Sorbonne) enquanto
dos papais ricos recebia suas mesadas. A anarquia
era a principal característica, como hoje
também, fenômeno normal em rapazolas
em crise de puberdade e velhos coroas que não
superaram seu complexo de Édipo.
Mais séria é a mendacidade
e a velhacaria populista. No arrazoado em debate,
o argumento geralmente utilizado é que
a globalização "está
empobrecendo os pobres". Tenho em mãos
o Índice de Desenvolvimento do Banco Mundial
- uma instituição que os liberais
detestam, mas fornece dados seriamente compilados
- e descubro que as duas maiores populações
do mundo, outrora consideradas as mais pobres,
a chinesa e a indiana (cerca de 2,3 bilhões
de almas, mais de um terço da que cobre
o planeta), têm sido beneficiadas nos últimos
quatro anos por um crescimento anual médio
de cerca de 7%. A China vive, oficialmente, sob
um regime comunista que protege a economia de
mercado de suas cidades litorâneas e a Índia
obedece a um governo dito "conservador".
Antigos paradigmas da indigência, estes
povos se tornaram exemplos do milagre do "capitalismo
selvagem". Mesmo na África, o continente
dos miseráveis representado como a eterna
vítima do imperialismo e cobiça
colonial, a maioria dos países registra
progresso rápido de suas economias. O desastre
ocorre naqueles que foram ou são devastados
por guerras civis, Angola, Congo, Sierra Leone,
Burundi, Nigéria. Alguns, que conseguiram
sair do buraco como a Etiópia e Moçambique,
são favorecidos com índices anuais
de crescimento de 6 a 7%. Culpar a globalização
em termos econômicos constitui uma variação
desafinada em torno da cacofonia do bom-senso.
Finalmente, que se mencione a Ecologia: o que
é esta senão a expressão
de uma preocupação global com o
equilíbrio natural do planeta, só
podendo ser solucionado globalmente?
O Fórum Anti-Davos formalizou
sua organização permanente, sem
endereço fixo, mas com financiamento garantido.
Para maiores detalhes sobre o evento consulte
a Executive Intelligence Review, de 24.8.2001.
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