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Considerações sobre Chávez, Fidel e El Che


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Creta e um outro Tsunami

 
 
     

Jornal da Tarde 28 de abril de 2003
Que fiasco!

 
 

A rapidez esmagadora da intervenção militar aliada no Iraque, vitoriosa em três semanas, deixou os obsessivos antiamericanos em posição vexatória.

Foram desmontadas suas ridículas antecipações e desmentidos argumentos tolos usados para denunciar o arrazoado da expedição. Durante alguns meses ouvimos as alegações mais absurdas veiculadas nos jornais e tevês, mas, curiosamente, uma das fontes principais das opiniões e boatos maliciosos se encontra no próprio EUA onde encapuzados pseudopacifistas, "liberals" do Partido Democrático, prestigiosos midia como o NY Times, e os eternos resmungões neurastênicos da turma do "culpe logo a América" (blame America first) nunca perdem a ocasião de atribuir a "forças ocultas" na sua sociedade cosmopolita a responsabilidade por todos os dramas do cenário internacional.

As alegações provêem de um misto de ignorância, ressentimentos, xenofobia, preconceitos ideológicos, masoquismo romântico e desinformação deliberada. A ousadia revelada nas manifestações de rua, porém, nos surpreendeu com a impressão de um vigoroso movimento mundial contra o suposto "imperialismo" brutal e tapado da atual administração em Washington. Vejam o mito do petróleo. Sua banalidade encobre um paradoxo, pois o de que se tratou foi, precisamente, evitar que Saddam estendesse seu poder sobre a maior parte do Oriente Médio. Se viesse a controlar os preços de mais de 50% da produção mundial, o ditador iraquiano poderia elevá-los a um nível que afetaria toda a economia mundial, criando um novo "choque" como os das décadas 70/80. A exploração dos poços iraquianos estava também na mira de franceses e russos, o que dá para explicar a posição de Chirac e Putin nessa confusão.
Mas ouvimos outros ridículos protestos, inclusive sobre a intenção dos EUA de, simplesmente, dominar todo o Oriente Médio em proveito de seu satélite, Israel. Alguns autodenominados "analistas políticos", notáveis por sua miopia, imaginaram o colapso da ONU como resultado da "estupidez" do presidente Bush, ou vislumbram um ominoso rompimento entre a América e a Europa. No que diz respeito às operações militares, outros sábios profetas de algibeira anteciparam um novo Vietnã, uma resistência heróica no estilo de Stalingrado, uma guerrilha interminável e desgastante, vaticinando o levante geral dos muçulmanos em jihad apocalíptica de conseqüências imprevisíveis. Ora, o que ocorreu foi exatamente o contrário. Os árabes vizinhos não se mexeram. As divisões da Guarda Republicana evaporaram. A população acolheu os aliados como libertadores. Na metade do tempo, 20 dias, com a metade dos efetivos empenhados (250 mil contra meio milhão), diminuto número de baixas tanto entre as tropas da coalizão quanto nas fileiras do adversário, e menos da metade de vítimas civis, George W. realizou o que, na Guerra do Golfo de 91, Bush Pai conseguiu para a libertação do diminuto Kuwait.

Como explicar então a explosão de imbecilidade coletiva nas arruaças pseudopacifistas? O premier italiano Berlusconi acentuou que as manifestações da mentira coletiva constituíram uma "blasfêmia contra a paz", com suas bandeiras vermelhas "manchadas com o sangue de 100 milhões de inocentes". Se certamente não podemos analisar as ocorrências em termos de oposição esquerda x direita (Chirac é homem de "direita" enquanto Blair, líder de um partido supostamente de esquerda), não há dúvida que a rede mobilizada pela internet no mundo ocidental, com outras passeatas encomendadas pelos mandarins de Beidjing e islamitas da Indonésia e da Malásia, foi organizada por figuras-chave da esquerda internacional. O esquerdismo, já insistia Lenin, é uma "moléstia infantil" - salvo que, no caso, não da revolução bolchevista, mas da globalização.

Os catalisadores das arruaças de Seattle, Gênova, Washington, etc.; o pessoal do L'Im-monde Diplomatique, um Bernard Cassen por exemplo, e de toda a imprensa marrom, inclusive a do Rio, São Paulo e Brasília; os endereços na internet (que aqui registrei no artigo de 3 de março) como a Answer e a Unitedforpeace.org, congregando milhares de ONGs eletrônicas e mobilizando o radicalismo extremista dos "Foros Sociais" de Porto Alegre e alhures, assim como os padrecos marxistas, brasileiros, franceses, belgas e italianos que se utilizam dos recursos técnicos da globalização para combatê-la - são estes os principais responsáveis pela desesperada tentativa de ressuscitar o movimento comunista nesta hora tardia do processo liberal triunfante no mercado mundial de idéias. Que o contra-ataque dos reacionários de plantão se dirija no sentido do antiamericanismo é fácil de explicar. O resultado era previsível. Foi, porém, ridículo e vexatório. Um fiasco...