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comum em nosso país, tanto à esquerda
quanto à direita, ouvirmos a observação
banal que o país empobrece, o mundo empobrece
e os “pobres se estão tornando cada
vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos”.
Ora, pode o Banco Mundial ser considerado um suspeito
instrumento do “imperialismo”, mas
os dados de seu World Development Report
(2003), os únicos universalmente disponíveis,
oriundos de informações procedentes
dos próprios estados membros e elaboradas
por técnicos, registrando embora a crise
ocorrida no início do milênio, concede
à atual população global
de 6,132 bilhões um lento crescimento médio,
baixo na África, alto na Ásia (4,5%),
médio na Europa (2,4%) e América
Latina, porém sempre positivo. Cabe notar
que os USA, com 25% da renda total de cerca de
46 trilhões de dólares, podem, ultimamente,
haver provocado uma ligeira recessão. Contudo,
os USA tornaram-se a nau capitânia da
economia global com um crescimento anual, a longo
prazo, incluindo os anos da Grande Depressão,
que se situa justamente na percentagem média
de 2%. É sabido que, nos países
mais ricos do mundo, Suíça, Noruega,
Luxemburgo, EEUU, Japão - a classe média
cresce forçosamente, com a redução
e eventual desaparecimento do que se convencionou
chamar pobreza. Na América, o fenômeno
ainda não se registra porque o país
recebe 500 mil imigrantes legais e clandestinos
por ano. O processo de inserção
na economia demora, embora logo melhorem os salários
dos recém-chegados.
Na própria China a situação
se tornou ambígua: “uma nação,
dois sistemas”, como a desejou Deng Xiaoping.
Quer dizer que os mandarins totalitários
governam em Beidjing e os “compradores”
capitalistas enriquecem em Xanghai, Hong-Kong
e cidades litorâneas, alastrando a fortuna
por toda a população urbana. Se
à China acrescentarmos a Índia,
temos aí em franco progresso econômico
mais de dois terços do antigo “terceiro
mundo” sub-desenvolvido. Mas meu querido
colega Rubem Ricupero e muitos de seus acólitos
da defunta Teologia da Libertação
podem ainda martelar o conceito de “crescimento
da pobreza”. A verdade é que ela
universalmente regride. Longe de registrar falhas,
a receita capitalista de livre emprego, privatização
e intenso comércio internacional revela-se
vitoriosa nos índices anuais do Banco Mundial.
Na África, o continente problemático
por excelência, o cenário de desenvolvimento
econômico só não é
mais positivo porque guerras civis, genocídios
como os do Burundi, Angola, Etiópia e Sudão,
fome e ditaduras cruéis atormentam a maior
parte da faixa tropical ao sul do Sahara. O mesmo
em nosso continente. Gozando ainda do maior percapita,
paga a Argentina por décadas de peronismo
e militarismo, enquanto o México e o Chile
já lhe atingem a mesma renda graças
aos regimes, economicamente mais liberais, do
PAN e dos “Chicago Boys”
de Pinochet.
Se, no Brasil, o “milagre econômico”,
gerado no governo Médici dos anos 70 pelas
iniciativas de Bulhões e Roberto Campos
no de Castello, foi sucedido pela estagnação
relativa posterior, procurem as causas na estatização
galopante do Herr General Ernst von Geisel,
na crise inflacionária da Nova República
e no empreguismo público explosivo dos
governos subseqüentes, só com má
vontade contido pelos oito anos de FHC. O tratamento
do vício inflacionário-estatizante
custa a produzir resultados. Em que pesem, porém,
as choramingas hipócritas de monstrengos
do tipo Lessa e as benemerências dos Amorim,
Palocci e Meireles , o barbudo Papai Noel que
atualmente nos governa (Boas Festas, ó
gente!) ainda reduz suas promessas a “dez
milhões de empregos” - dez milhões,
que é o de que, normalmente, se
precisa com o crescimento natural da população
brasileira em quatro (ou serão oito anos?)
de expansão demográfica.
A falsa teoria do empobrecimento foi inventada
por Johan K. Rodbertus (+1875). Esse economista
prussiano propôs a regulamentação
dos salários pelo Estado – a primeira
amostra da perversa ideologia intervencionista
que gosto de chamar “nacional-socialista”.
O tema tornou-se saliente na obra de Kautsky que
sobre isso brigou com Marx. Acreditando no inevitável
e progressivo empobrecimento do proletariado,
Marx sobre esse destino nefasto edificou sua teoria
da revolução comunista que, pelas
“leis férreas da história”
(que só ele conhecia), forçosamente
socializaria todos os meios de produção.
A questão é tratada, com a finura
e ironia de sempre, por Ludwig von Mises em sua
obra sobre o “Socialismo”,
publicada inicialmente em 1936. Nota o famoso
economista austríaco que Mandeville e Hume,
“os dois maiores observadores da natureza
humana”, salientaram que crescem o ressentimento
e a inveja justamente quando mais próximas
se tornam as classes ricas e pobres. Tocqueville
já notara o paradoxo em seu estudo sobre
a Revolução Francesa. A cobiça
dos “menos ricos” se exacerba com
o desenvolvimento econômico que tende a
aproximar os extremos, reduzindo as desigualdades.
“A doutrina do crescimento relativo da pobreza
social nada mais é do que uma tentativa
de justificação de políticas
inspiradas no ressentimento das massas”,
acentua Mises. Inveja e ressentimento existem,
precisamente, onde cresce a fortuna popular, como
natural reação estimuladora do enriquecimento
geral. Menos ressentimentos, invejas e intrigas,
e ouçamos o que nos disseram Hume, Mandeville,
Smith, Mises, Hayek (e Bob Fields).
É no modelo liberal da Índia, Chile
e México que devemos procurar o paradigma
do desenvolvimento acelerado. Não para
empobrecer, para enriquecer!
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