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Desafio Islãmico

Freud, a Kabalá e a "Morte de Deus"

 
 
     


Schopenhauer e a vontade de viver

Conferência publicada na
Revista da Academia Brasiliense de Letras
Ano VII nº 27 - Brasília 2001

 
 

Há uma tendência comum em considerar como "irracionalistas" os filósofos que, na linha de Schopenhauer, Kierkegaard e Nietzsche, se rebelaram contra o absolutismo da Razão na filosofia idealista de Hegel. O que, na realidade, surge com Schopenhauer e Kierkegaard, a partir de um dos aspectos da filosofia de Kant, é um salto para além da antinomia do Intelecto e do Coração. É um pulo em direção ao supra-racional, ao meramente existencial. A nenhum dos dois caberia a crítica de Nietzsche aos "alunos demasiadamente dóceis dos professores de ciência de seu tempo, que tudo sacrificavam ao romantismo, após haver abjurado o espírito do Século das Luzes" (em "Humano, demasiadamente Humano") - sacrifício, seja dito de passagem, que Nietzsche também se absteve de oferecer... Não devemos, pois, considerar gratuito o desprezo de Schopenhauer pela filosofia teorética de Hegel e de Fichte, nem a ojeriza de Kierkegaard ao "sistema" hegeliano. Pior ainda foi Nietzsche. Contrariando a crença dos cientistas clássicos num Logos ou numa ordem racional do Universo, ele afirmou que "o caráter total do mundo é, de toda eternidade, o caos" - prevenindo-nos, com sua habitual heterodoxia, contra a crença que haja leis na natureza. É na "Gaya Ciência" que Nietzsche pretende que "todas as coisas que existem são necessidades; não há ninguém comandando, ninguém obedecendo, ninguém transgredindo. Logo que Você compreende que não há propósito algum em tudo isso, Você também percebe que não há acidentes, eis que a palavra `acidente' só possui significado quando medida contra um mundo de propósitos". Como introdução ao estudo de uma ciência, ou seja, da biologia, Nietzsche não nos deixa com muita esperança de compreendê-la. Mas e daí? O máximo que podemos fazer, nesta altura, é considerar Schopenhauer, pelo qual ele se interessou no princípio de sua obra filosófica. Leia mais