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Desafio Islãmico

Freud, a Kabalá e a "Morte de Deus"

 
 
     


Freud, a Kabalá e a "Morte de Deus"
Conferência publicado na Carta Mensal do Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio - Edição Maio 2003 - Número 578 - Volume 49

 
 

Introdução

A psicanálise é um método terapêutico destinado aos tratamento de pessoas mentalmente perturbadas. Já intuída por Nietzsche, ela surgiu do trabalho pioneiro de Charcot e Janet, de Breuer, Freud e Jung como um ramo especializado da psiquiatria. Seus fundadores foram médicos. Ultrapassou, porém, esses estreitos propósitos originais porque, se há hoje muitos doentes mentais, é a própria sociedade que está enferma, doente porém num sentido diverso do que eles pensavam. Nietzsche é nesse sentido o grande e genial profeta da nova idade cuja loucura ele, pessoal e tragicamente, encarnou em sua obra e na própria doença que o derrubou. Na obra de Freud e Jung, assim como na de outros discípulos, grandes e pequenos - Adler, Rank, Reich, Marcuse e o pessoal da Escola de Franfurt - a psicologia das profundidades atreveu-se a uma pesquisa cada vez mais incisiva da sociedade e da cultura para, finalmente, alcançar o terreno da filosofia e da religião. Nos "Ensaios de Psicologia Coletiva", Freud interpreta a religião como um fenômeno de neurose social. O que é o histerismo num indivíduo, é a religião numa sociedade. Uma alucinação, uma perturbação de caráter obsessivo. Na religião, Freud só descobre o obscurantismo, a superstição, a tirania inquisitorial, o dogmatismo, o mandamento reacionário, a "ilusão" filosófica.

Entretanto, o professor David Bakan, da Universidade de Chicago e ele próprio judeu, pretende provar que, em muitas de suas doutrinas fundamentais, Freud se inspirou na tradição mística de seu povo. Especialmente, naquela que seguiu a Kabalá e é esse tema da dialética de Freud com a religião que vamos agora abordar. Além da Kabalá se poderia também mencionar o movimento do Hasidismo, uma seita pietista e entusiástica que se desenvolveu entre judeus poloneses e silesianos no século XVIII, os quais podem ser hoje encontrados tanto em Jerusalém quanto em Nova York ou S. Paulo. Eles se distinguem pela maneira especial com que se vestem, sempre de preto e um estranho chapéu na cabeça, alimentam fortes tendências kabalísticas e sofrem uma indiscutível influência original do Gnosticismo hebraico. Freud teria herdado da própria família essas tendências hasídicas.
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