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O tema deste livrinho é tão surpreendente
quanto o do Elogio da Loucura, de Erasmo. O autor
não pretende, contudo, elogiar a "burrice",
mas a virtude da humildade e a "pobreza de
espírito" que Cristo pregou. Valendo-se
da psicologia de C.G. Jung, Meira Penna persegue
o motivo arquetípico na mitologia, nos
Antigo e Novo Testamento, na literatura européia
e em nossa própria, assim como na filosofia
moderna com Dostoievsky e Nietzsche. Descobre
o burro mesmo como elemento decisivo num acontecimento
famoso da história brasileira: Canudos.
Seguindo o paradigma cristão, o asno constantemente
se sacrifica por dever moral ou por amor dos homens,
e defende intransigentemente a sua identidade
- como demonstra o autor com repetidos exemplos
históricos ou literários. Em pequenos
episódios que ilustram o tema do burrinho,
Meira Penna segue tecendo o originalíssimo
comentário, orientando o apólogo
que também constitui um profundo ensaio
de filosofia moral.
O brasileiro do sertão revela um especial
afeto pelo jerico, e não é a primeira
vez que ele se manifesta em nossas letras. Ao
apresentar ao público esta nova obra do
escritor, diplomata e pensador que é Meira
Penna, deseja AGIR demonstrando o seu perene interesse
em trabalhos de cultura - mesmo quando possa o
título parecer tão paradoxal quanto
este "elogio". O livrinho se enquadra,
assim, na série de "elogios do burro"
que fizeram, entre outros, Machado de Assis, Guimarães
Rosa, Euclides da Cunha e o padre Antônio
Vieira.
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