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ISBN:
Editora: AGIR
Número de páginas: 111
Encadernação: brochura
Lançamento: 1980
 

O Elogio do Burro

 

O tema deste livrinho é tão surpreendente quanto o do Elogio da Loucura, de Erasmo. O autor não pretende, contudo, elogiar a "burrice", mas a virtude da humildade e a "pobreza de espírito" que Cristo pregou. Valendo-se da psicologia de C.G. Jung, Meira Penna persegue o motivo arquetípico na mitologia, nos Antigo e Novo Testamento, na literatura européia e em nossa própria, assim como na filosofia moderna com Dostoievsky e Nietzsche. Descobre o burro mesmo como elemento decisivo num acontecimento famoso da história brasileira: Canudos.

Seguindo o paradigma cristão, o asno constantemente se sacrifica por dever moral ou por amor dos homens, e defende intransigentemente a sua identidade - como demonstra o autor com repetidos exemplos históricos ou literários. Em pequenos episódios que ilustram o tema do burrinho, Meira Penna segue tecendo o originalíssimo comentário, orientando o apólogo que também constitui um profundo ensaio de filosofia moral.

O brasileiro do sertão revela um especial afeto pelo jerico, e não é a primeira vez que ele se manifesta em nossas letras. Ao apresentar ao público esta nova obra do escritor, diplomata e pensador que é Meira Penna, deseja AGIR demonstrando o seu perene interesse em trabalhos de cultura - mesmo quando possa o título parecer tão paradoxal quanto este "elogio". O livrinho se enquadra, assim, na série de "elogios do burro" que fizeram, entre outros, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha e o padre Antônio Vieira.