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A história do nosso século é
realmente a história do homem singular.
É a história do conflito do homem
individual, livre, em sua resistência ao
avassalamento crescente pela sociedade de massas
no Leviatã do Estado nacional soberano.
É a história do protesto contra
o que os alemães, que disso mais sofreram
do que qualquer outro povo, chamam de Massenmensch
em suas diversas modalidades. Do protesto contra
o que Ortega y Gasset descreveu como La rebelion
de lãs masas. Também no ocidente,
nossa mente é atacada pelos mitos e manipulações
ideológicas numa espécie de psicopatologia
coletiva. A cada um cabe situar-se nesse entrevero
fatal. Este livro representa minha própria
colocação, a qual, espero, poderá
interessar aos que comungam das mesmas preocupações
e angústias. Minha conclusão é
de que a estrutura do Estado-nação,
que socializa a economia e os meios de comunicação,
é obsoleta. Nem o socialismo, nem o nacionalismo,
nem o liberalismo de esquerda que a eles se entrega,
oferecem soluções para os nossos
problemas de escala planetária. Ou a humanidade
supera a idade do Estado-nação sacralizado
na religião civil do socialismo ou estará
condenada pelos impasses que não podem
ser abordados e vencidos ao nível de interesses
nacionais conflitivos. Nossa meta, por conseguinte,
é transcender a ideologia da religião
política, superar o nacionalismo e o socialismo
numa sociedade aberta e ecumênica, orientada
segundo critérios de razão prática
ou ética pragmática - uma sociedade
aberta para o mundo mas introvertendo, na autonomia
do homem moral responsável, os princípios
da filosofia perene e de nossa ética ocidental
cristã.
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