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ISBN:85-86020-98-2
Editora: Topbooks
Número de páginas: 601
Encadernação: brochura
Lançamento: 1999
 

Em Berço Esplêndido
Ensaios de psicologia coletiva brasileira

 

Esta reedição de Em berço esplêndido (1974) acha-se enriquecida com os textos básicos de dois outros livros, justamente conceituados para formar uma trilogia: Psicologia do subdesenvolvimento (1972) e O Brasil na idade da razão (1980). O propósito do embaixador Meira Penna, com este conjunto, consistia em "traçar um novo retrato do Brasil", diferentemente das tentativas anteriores, tomando por base não apenas o curso histórico concreto mas o que permitiria desvendar-lhe o sentido. Seria a seu ver os nossos traços psicológicos constitutivos. Louva-se da categoria de inconsciente coletivo sugerida por Carl Jung. Assim, a obra corresponde, seguindo sua própria denominação, a ensaios de psicologia coletiva brasileira. Para esboçar este caminho, teve o autor que deslindar a questão teórica subjacente, desde que a psicologia, como afirma, "preocupa-se com o sujeito individual em cuja singularidade tenta penetrar".

Para contornar a questão, Meira Penna selecionou, dentre os mitos ainda presentes à nossa vivência coletiva, aqueles que lhe pareceram mais expressivos. Impressionou-o vivamente a obra de Keyserling - em especial Meditações sul-americanas, livro ignorado no Brasil - notadamente o fato de chamar a atenção para a singularidade da natureza tropical, "o meio ambiente englobante de calor e profusa vegetação, expressão primordial da Magna Mater de cujo esplêndido seio ainda não escapamos".

Seguindo essa pista, examina a presença do tema - "As mães" - na literatura universal concluindo assim: "Toda coletividade, como todo indivíduo, nasce com certas características físicas, certos dons, certas taras e uma tipologia física e psicológica determinadas. Estes dons, taras e características, recebidos de nossos antepassados segundo as leis da hereditariedade, contituem um dado inicial de nossa condição humana, ao qual se acrescentam as influências ambientais que passivamente sofremos nos anos da nossa aprendizagem infantil, de parte de nossos pais e do meio social que nos educa. Somos frutos de nossa Família e de nossa Casa. Uma vez maduros, pouco podemos fazer para modificar tais condições - aquelas com as quais nos gerou a Magna Mater. Só a partir de uma tal consciência da nossa realidade atual é que podemos encetar um desenvolvimento conforme a nossos caros desejos, a nossas sublimes ideais e nossos 'objetivos nacionais permanentes'."