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Esta reedição de Em berço
esplêndido (1974) acha-se enriquecida
com os textos básicos de dois outros livros,
justamente conceituados para formar uma trilogia:
Psicologia do subdesenvolvimento (1972)
e O Brasil na idade da razão (1980).
O propósito do embaixador Meira Penna,
com este conjunto, consistia em "traçar
um novo retrato do Brasil", diferentemente
das tentativas anteriores, tomando por base não
apenas o curso histórico concreto mas o
que permitiria desvendar-lhe o sentido. Seria
a seu ver os nossos traços psicológicos
constitutivos. Louva-se da categoria de inconsciente
coletivo sugerida por Carl Jung. Assim, a obra
corresponde, seguindo sua própria denominação,
a ensaios de psicologia coletiva brasileira. Para
esboçar este caminho, teve o autor que
deslindar a questão teórica subjacente,
desde que a psicologia, como afirma, "preocupa-se
com o sujeito individual em cuja singularidade
tenta penetrar".
Para contornar a questão, Meira Penna
selecionou, dentre os mitos ainda presentes à
nossa vivência coletiva, aqueles que lhe
pareceram mais expressivos. Impressionou-o vivamente
a obra de Keyserling - em especial Meditações
sul-americanas, livro ignorado no Brasil - notadamente
o fato de chamar a atenção para
a singularidade da natureza tropical, "o
meio ambiente englobante de calor e profusa vegetação,
expressão primordial da Magna Mater de
cujo esplêndido seio ainda não escapamos".
Seguindo essa pista, examina a presença
do tema - "As mães" - na literatura
universal concluindo assim: "Toda coletividade,
como todo indivíduo, nasce com certas características
físicas, certos dons, certas taras e uma
tipologia física e psicológica determinadas.
Estes dons, taras e características, recebidos
de nossos antepassados segundo as leis da hereditariedade,
contituem um dado inicial de nossa condição
humana, ao qual se acrescentam as influências
ambientais que passivamente sofremos nos anos
da nossa aprendizagem infantil, de parte de nossos
pais e do meio social que nos educa. Somos frutos
de nossa Família e de nossa Casa. Uma vez
maduros, pouco podemos fazer para modificar tais
condições - aquelas com as quais
nos gerou a Magna Mater. Só a partir de
uma tal consciência da nossa realidade atual
é que podemos encetar um desenvolvimento
conforme a nossos caros desejos, a nossas sublimes
ideais e nossos 'objetivos nacionais permanentes'."
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